16 abril 2010

Quase um ano

Nunca imaginei levar tanto tempo pra renovar os sentimentos.







Alguém tem aquela super faca que corta tudo? Pra ver se eu consigo cortar de vez esses laços!
Ou talvez uma cirurgia a laser pra extirpar emoções inconvenientes do coração...
Quero voar.
Quero ser livre.
Quero respirar até encher os pulmões.
Ir hacia la felicidad...
Ih, escorreguei de novo!

Que saudade estranha é essa que sinto, acho que de alguma outra vida na Espanha.
Há mais de 15 anos fui estudar espanhol, por nada, nenhum objetivo ou necessidade; só porque eu gostava. E nem estava na moda ainda. Não tinha curso em tudo que é curso de inglês, como hoje. Só tinha na Casa D'España, no Humaitá. E eu me despencava à noite pra lá, depois de ir à faculdade de manhã e ao estágio à tarde.

Gostava tanto que fiz quatro períodos em um ano. Intensivo em Janeiro. Regular no primeiro semestre. Intensivo de novo em Julho, e regular no segundo semestre.

Meu primeiro professor era incrível. Eduardo, espanhol. Não me lembro seu sobrenome, mas lembro que ocupava uma posição importante no consulado do Rio. Acho que era professor por puro prazer. Suas aulas incluíam muita conversa, e muita informação interessantíssima sobre a cultura espanhola. Me lembro até hoje de sua aula sobre Goya, com slides de suas telas...

E deixando a modéstia de lado, me lembro de uma situação que me encheu de satisfação, remendando um pouco minha autoestima sempre meio em baixa. Demorei um pouco a me inscrever para o segundo período do curso, mas ainda não havia acabado o prazo. Um dia cheguei em casa, e descobri que o professor havia ligado. Ele viu nos registros da secretaria que eu não havia renovado minha matrícula, e disse à minha mãe que eu não podia parar de estudar espanhol, e fez alguns elogios que tenho vergonha de escrever aqui. ;)

Agradeço ao meu noivo na época (ok, nome aos bois, William Heuseler) que me buscava de carro às nove e meia da noite e me levava pra casa, duas vezes por semana. Mas em outubro daquele ano nós rompemos o relacionamento. :( Meus pais não se dispuseram a me buscar no curso por mais um mês e meio que faltava pra terminá-lo. E eu não encarei voltar de ônibus, à noite. Tive medo. O que recebia no estágio não dava pra ir de táxi. Fiquei sem o diploma. De vez em quando penso em voltar pra acabar o curso e ter a satisfação de receber meu certificado.

Fiquei uns dez anos sem praticar falar espanhol. Zero. Mas quando tive oportunidade de ir à Espanha, as pessoas me perguntavam há quanto tempo eu estava lá. Quando eu respondia: - Cheguei anteontem, invariavelmente me perguntavam: - Mas e antes, há quanto tempo você mora aqui? Hehe. Tirando onda! Não, a idéia não é essa. É que eu realmente acho que já vivi na Espanha em alguma outra encarnação. Então, me sai com uma facilidade...

Na época do curso, na Casa D'España, tinha um menino na secretaria que me encantava. Às vezes eu inventava um motivo pra ir lá, só pra escutá-lo falando, com aqueles "ss" aspirados, entredentes.

Então, até dá pra entender por que me custa tanto abandonar um amor espanhol. Quem sabe se eu encontrar outro?
Mas agradeço a Deus pela oportunidade de ter tido um amante espanhol caliente sussurrando nos meus ouvidos. Acho que nenhuma mulher deveria passar pela vida sem experimentar um...

Desde uns quatro anos atrás, passei a pensar em espanhol. Estou tentando voltar pro português, e aos poucos vou conseguindo. Afinal, essa é a minha vida atual, onde posso concretizar meus planos e sonhos.

E pra não ficar assim, com essa sensação de nostalgia, acabo de ligar pro meu professor de dança flamenca e confirmar o ensaio de domingo. Só prazer!
Postar um comentário